SÃO PAULO — Documentos relacionados ao caso Master indicam que Fábio Faria, ex-ministro de Jair Bolsonaro e marido de Patrícia Abravanel, ajudou Daniel Vorcaro a organizar uma festa de Halloween em São Paulo, em 31 de outubro de 2023. A organização também envolveu o promoter Tiago Polo.
O evento ocorreu na boate Madame Underground Club, conhecida como Madame Satã. Segundo os documentos, 120 mulheres e cerca de 20 homens foram convidados. Os celulares deveriam ser deixados na entrada, e mensagens atribuídas a Vorcaro indicavam preferência por “menina nova”.
Faria afirmou ter convidado Davi Alcolumbre, Rodrigo Pacheco e o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Em uma mensagem, disse temer que o evento fosse divulgado nas redes sociais. Vorcaro respondeu: “Se alguém falar algo, era evento do banco para parceiros de Halloween”.
Um relatório da Polícia Federal registra que uma convidada publicou um vídeo da festa nas redes sociais no dia seguinte. Vorcaro teria pedido a Polo que retirasse o conteúdo, apagado depois. Entre as atrações estavam os DJs Swedish House Mafia, Solomun e Vintage Culture.
As conversas também mencionaram “Arthur” e “Alexandre”. A polícia suspeita que as referências sejam a Arthur Lira e Alexandre de Moraes. O advogado Marcus Vinícius Furtado Coêlho foi citado como possível convidado. Dados da Receita Federal mostram que Vorcaro pagou R$ 27,5 milhões ao escritório do advogado em 2025.
Manifestações
Fábio Faria disse que apenas enviou convites. O advogado Marcos Vinícius afirmou que não participou da festa e estava em Brasília na data. A assessoria de Wesley Batista negou elementos que relacionem o empresário ao “Wesley” citado nas mensagens.
Dias Toffoli, Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco negaram presença. A assessoria de Alcolumbre informou que ele estava em Brasília, em agenda no Senado Federal. Pacheco afirmou que presidia a sessão do Senado até o período noturno.
Tiago Polo reconheceu ter sido contratado para colaborar na organização, mas negou participação na seleção de autoridades e convidados homens. Disse que sua atuação se limitou ao trabalho profissional para o qual foi contratado e rejeitou associação com recrutamento de acompanhantes ou intermediação de serviços sexuais.



