São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Energia cara desafia próximo governo mesmo com avanço das fontes renováveis

Especialistas apontam perda de planejamento, cortes na geração e alta de custos como entraves para a competitividade brasileira.

Energia cara desafia próximo governo mesmo com avanço das fontes renováveis

O próximo presidente terá de lidar com um descompasso no setor de energia: o Brasil amplia a oferta de fontes renováveis, mas enfrenta cortes na geração e aumento das tarifas. Especialistas atribuem o problema à perda de planejamento e à adoção de decisões fragmentadas entre eletricidade, petróleo, gás e biocombustíveis.

O setor elétrico é o mais pressionado, segundo Rosana Santos, diretora-executiva do Instituto E+ Transição Energética. O país convive com o curtailment, corte compulsório da produção quando a geração supera a capacidade de consumo ou de transmissão. A situação se agravou com a expansão da geração solar distribuída: a oferta cresce durante o dia e cai rapidamente ao pôr do sol.

A oscilação desafia a operação do ONS (Operador Nacional do Sistema) e afeta o mercado livre. Hidrelétricas, usinas eólicas e solares deixam de receber quando não produzem, o que já levou empresas a recuperações judiciais e paralisou investimentos em energia limpa.

Custo para consumidores e indústria

O Leilão de Reserva de Capacidade contratou térmicas para atender os momentos de maior demanda, mas, segundo Rosana, não considerou adequadamente os preços. Estimativas indicam impacto de US$ 5 a US$ 10 por MWh sobre o setor produtivo.

Para Lucien Belmonte, presidente da Abvidro (Associação Brasileira das Indústrias de Vidro), a alta da energia reduz a competitividade da indústria. O insumo representa 29,8% do preço do pão francês, 18,7% do café moído, 43,9% de revestimentos de pisos e paredes e 31,6% do cimento.

De 2000 a junho de 2026, o preço da eletricidade para o setor produtivo brasileiro subiu 327,7% em dólar. A alta foi de 145,3% nos Estados Unidos e de 12,5% na União Europeia. No gás natural, o aumento no Brasil foi de 154,5%, enquanto houve queda de 64% no mercado americano.

Belmonte defende rever subsídios, que já ultrapassaram R$ 50 bilhões ao ano. Luiz Eduardo Barata, presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, propõe uma reforma do setor elétrico com foco no consumidor, mudanças na expansão do sistema e preparação para eventos climáticos extremos.

Propostas eleitorais

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) defendem ampliar a exploração de petróleo e gás, mas apresentam estratégias diferentes. Lula vincula a transição energética à política industrial e atribui papel relevante à Petrobras. Flávio propõe reduzir gradualmente a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) e os incentivos às fontes de energia, com ênfase em investimento privado e segurança regulatória.

Os dois programas mencionam energia renovável, transmissão, armazenamento e atração de investimentos. Também citam biocombustíveis, hidrogênio e atividades como data centers e exploração de minerais críticos.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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