Os eleitores independentes, que não se identificam com o lulismo, o bolsonarismo, a esquerda ou a direita, passaram a oscilar entre Lula, Augusto Cury (Avante) e Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas Quaest. O grupo representa cerca de um terço do eleitorado brasileiro e é considerado capaz de definir uma eleição presidencial decidida por margem estreita.
Na primeira rodada, em 14 de agosto, Luiz Inácio Lula da Silva liderava entre os independentes, com 23% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro tinha 16%, e Augusto Cury, 4%.
O cenário mudou na rodada de 2 de setembro. Cury avançou para 24% e assumiu a liderança nesse segmento. Lula permaneceu com 23%, enquanto Flávio Bolsonaro recuou para 11%. Na terceira rodada, de 7 de setembro, Lula voltou à frente, com 24%. Cury apareceu com 17%, e Flávio Bolsonaro, com 9%.
Abstenção e disputa pelo eleitorado
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, afirma que corrupção e segurança pública estão entre os temas que influenciam a decisão desses eleitores. Ele também aponta dificuldade das campanhas para engajar uma parcela que pode optar por não votar.
“Boa parte dos independentes estão sofrendo porque não conseguem encontrar uma alternativa para empolgá-los”, afirmou Nunes à rádio CBN. Segundo o cientista, parte desse eleitorado permanece em movimento entre os candidatos, enquanto outra parcela se afasta da eleição.
Para Daniel Pinheiro, professor de Administração Pública e pesquisador de Cultura Política da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), muitos independentes desconfiam dos principais candidatos ou ainda não definiram o que pretendem fazer na eleição. Na avaliação dele, a polarização entre direita e esquerda reduziu esse espaço.
Pinheiro também relaciona esse eleitorado a crescimentos rápidos, como o de Pablo Marçal na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2024 e o de Augusto Cury na atual corrida presidencial. Para atrair os independentes, as campanhas precisariam apresentar projetos e propostas, além de estimular a participação na votação.
O pesquisador avalia ainda que os independentes podem ter peso maior nas eleições para deputados e senadores. Nesses pleitos, candidatos com propostas capazes de agradar a esse público poderiam surpreender e conquistar votos de eleitores sem associação definida com a esquerda ou a direita.



