As mulheres se tornaram foco estratégico das campanhas para presidente e governador. Elas representam cerca de 52% do eleitorado em Santa Catarina e no Brasil, mas seguem sub-representadas nas candidaturas: são 36,7% do total em Santa Catarina e 34,8% no país.
Na disputa pelo governo catarinense, há uma mulher entre oito candidatos: Laís Chaud (UP). Na corrida presidencial, são duas entre 13 postulantes: Samara Martins (UP) e Clariana Barão (DC).
A pesquisa Quaest para presidente divulgada em 14 de setembro mostrou que 12% das mulheres ainda estavam indecisas sobre o primeiro turno, ante 8% dos homens. Entre as eleitoras, 57% disseram que não votariam em Flávio Bolsonaro e 55% afirmaram o mesmo sobre Lula.
As principais preocupações declaradas pelas mulheres foram violência, com 31%; corrupção, com 20%; economia, com 19%; e saúde, com 11%. A cientista política Camilla Soares Teixeira Camargo, mestranda em Administração pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), afirmou que “o voto feminino não é homogêneo”.
Estratégias nas campanhas presidenciais
A campanha de Flávio Bolsonaro passou a incluir a esposa, Fernanda Bolsonaro, e a madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), nas propagandas. Na estreia no rádio e na TV, o senador se apresentou como pai, marido e filho. Depois, abordou o recorde de feminicídios registrado em 2025 e a queda do poder de compra dos brasileiros.
Na pesquisa Quaest de 14 de setembro, Flávio registrou 29% entre as mulheres no primeiro turno, contra 37% de Lula. No segundo turno, os percentuais eram 41% e 38%, respectivamente. O consultor em marketing político Fred Perillo atribuiu o avanço a movimentos de empatia e à tentativa de humanizar a imagem do candidato, não a uma pauta específica para mulheres.
A campanha de Lula reforçou a presença do tema em discursos. Em um comício em Curitiba, no dia 12, o presidente prometeu construir mais creches e universalizar a escola em tempo integral. Janja também estreou nos blocos de rádio para apresentar ações do governo voltadas ao público feminino.
Disputa em Santa Catarina
Entre os candidatos ao governo catarinense, João Rodrigues (PSD) aparece em propagandas com a esposa e as filhas e apresenta ações da prefeitura de Chapecó nas áreas de saúde e segurança nas escolas. Gelson Merísio (PSB) adotou a vice Angela Albino (PDT) como porta-voz do combate à violência contra as mulheres.
Jorginho Mello (PL) concentra a campanha em entregas do governo, com temas como hospitais e creches, sem direcionamento mais direto às eleitoras. Para Fred Perillo, nenhum dos candidatos ao governo de Santa Catarina apresenta discurso forte e convincente sobre as mulheres.
As mulheres foram consideradas decisivas para a vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro (PL) em 2022. O Censo 2022 do IBGE aponta que elas comandam cerca de 49,1% dos lares brasileiros, o que as coloca no centro das discussões sobre custo de vida e poder de compra.



