SÃO PAULO — A privatização da Sabesp aproximou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o então presidente da Câmara Municipal, Milton Leite. A articulação também envolveu o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e as eleições municipais de 2024.
Nesta quinta-feira (17), a operação Vectura Corrupta atingiu Leite, que teve a prisão decretada e é considerado foragido pela polícia, e Danilo Morgado (PL), preso na ação. A investigação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo.
A força-tarefa pretende cumprir 16 ordens de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Participam da operação a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
Segundo a Polícia Civil, a investigação identificou 12 empresas de transporte coletivo que seriam controladas, direta ou indiretamente, pelo PCC. Os investigadores apontam possível atuação de integrantes e intermediários da organização em empresas e processos de licitação.
Sabesp e Câmara Municipal
O acordo político foi consolidado em um evento na Vila Emir, na zona sul de São Paulo, em 17 de janeiro de 2024. Na ocasião, Tarcísio participou da entrega da primeira fase de uma usina fotovoltaica flutuante e elogiou Leite diante de apoiadores do vereador.
“Que o Milton é querido, tudo bem, a gente já sabia. Agora, lindão?”, afirmou o governador.
Antes do evento, Leite mantinha parado desde setembro de 2023 o projeto relacionado à privatização da Sabesp. A aprovação da Câmara era necessária por causa de uma cláusula no contrato da estatal com o município de São Paulo.
Leite usou a tramitação para negociar espaço político. Ele buscava recuperar influência no Palácio dos Bandeirantes e participar da escolha do vice na chapa de Nunes. Também mobilizou a pré-candidatura de Kim Kataguiri à Prefeitura de São Paulo para pressionar o prefeito e garantir o apoio do União Brasil, partido que tinha sete vereadores na Câmara.
Após os entendimentos, Nunes apoiou Ricardo Teixeira (União) para a presidência da Câmara. Tarcísio, por sua vez, assegurou o retorno da influência de Leite no governo paulista, com a indicação de Arthur Lima, do União Brasil, para a Casa Civil após a saída de Gilberto Kassab (PSD).
Depois dos acordos, o projeto avançou na Câmara e foi retirada a cláusula que impedia a venda da Sabesp à iniciativa privada. Em outubro de 2023, Leite havia criticado a negociação e declarado: “não vamos abrir mão dos direitos da cidade de São Paulo”.
Há 18 dias, Tarcísio voltou a elogiar a família Leite durante o lançamento das candidaturas de Alexandre Leite e Milton Leite Filho.



