A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) afirmou que os delegados responsáveis por um relatório sobre o caso Master apenas cumpriram uma determinação judicial. A entidade pediu o arquivamento do procedimento aberto pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e que ele deixe de atuar nos fatos em que é citado.
O documento foi encomendado na semana passada pelo ministro André Mendonça e produzido por quatro delegados e três agentes da Polícia Federal. O relatório registrou a relação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e com Gonet. Também listou 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.
Gonet instaurou um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para apurar uma possível ordem ou interferência externa na elaboração do relatório. No ofício, o procurador-geral indicou que pretende verificar se alguma interferência afetou o conteúdo do documento.
Para a ADPF, o procedimento é uma via inadequada para questionar um ato do Supremo Tribunal Federal. A associação também solicitou que os fatos revelados pela Operação Compliance Zero sejam investigados em toda a extensão, sem seletividade entre as autoridades envolvidas.
“A ADPF requer que o Procurador-Geral da República se declare impedido”, diz a nota. O pedido inclui a abstenção de atos de Gonet nos procedimentos relacionados aos fatos em que seu nome aparece, tanto como fiscal da lei quanto como responsável pelo controle externo.
A entidade declarou preocupação e indignação com a iniciativa da Procuradoria-Geral da República e classificou a medida como intimidatória. Segundo a associação, os servidores que participaram do relatório atuaram nos limites da ordem judicial, sem margem para decidir sobre a conveniência do trabalho determinado pelo juízo competente.
A ADPF representa mais de 2,3 mil delegados da Polícia Federal e informou que prestará assistência aos associados envolvidos.



