A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) pediram uma reação coordenada contra possíveis interferências estrangeiras nas eleições brasileiras, com atenção especial à atuação dos Estados Unidos.
Em nota, as entidades afirmaram que a definição dos governantes cabe ao eleitorado do país. Para ABC e SBPC, governos, Estados, grupos econômicos e outros atores externos não devem tentar influenciar esse processo com pressão política ou econômica, manipulação de informações ou uso indevido de tecnologias e plataformas digitais.
A manifestação foi divulgada depois que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) produziu, no fim de agosto, um relatório reservado sobre o risco de influência ou interferência norte-americana no pleito deste ano. O documento também menciona uma tendência de aumento da pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil.
As duas instituições defenderam a mobilização de órgãos da República, da comunidade científica e acadêmica e da sociedade civil para preservar uma eleição sem ingerência internacional. Também manifestaram apoio ao Instituto Vladimir Herzog, que entregou às Nações Unidas uma carta sobre os riscos de interferência estadunidense e pediu o reconhecimento rápido do resultado, sem relação com o vencedor.
Na terça-feira (22), durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou a soberania nacional e mencionou ações estrangeiras capazes de afetar processos políticos em países da América Latina e do Caribe.
A votação ocorrerá em 4 de outubro. Os eleitores escolherão deputado estadual/distrital, deputado federal, senador, governador e presidente da República.




