BERLIM — A Esquerda (Die Linke) venceu as eleições estaduais de Berlim neste domingo (20/09), com 25,7% dos votos. O resultado preliminar oficial, divulgado nesta segunda-feira (21/09), representa a maior votação do partido na capital alemã.
A legenda liderada pela advogada e deputada Elif Eralp superou a União Democrata Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, que alcançou 18,8%. A Alternativa para a Alemanha (AfD) ficou com 16,3%, seguida pelos Verdes, com 14,3%, e pelo Partido Social-Democrata (SPD), com 12,1%.
“Nosso programa venceu a eleição”, afirmou Eralp à emissora pública ARD. Ela disse que os eleitores deram à legenda um mandato para governar a Prefeitura Vermelha.
Filha de imigrantes, Eralp explorou sua trajetória durante a campanha, que teve como foco a crise habitacional de Berlim. A candidata defendeu o controle dos aluguéis e a expropriação de grandes empresas imobiliárias. Com o resultado, A Esquerda mais que dobrou os 12,2% obtidos em 2023.
Pressão sobre Merz
A votação em Berlim ocorreu no mesmo dia da eleição em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, estado de origem política da ex-chanceler Angela Merkel. A AfD venceu no estado com cerca de 38% dos votos, mais que o dobro dos 16,7% da eleição anterior. A CDU teve 4,9%, perdendo mais da metade do apoio anterior.
O avanço da AfD ocorreu duas semanas depois de a legenda obter 43,8% na eleição estadual da Saxônia-Anhalt. Nos dois estados, a CDU não alcançou a cláusula de barreira de 5% necessária para eleger representantes aos Parlamentos estaduais. Foi a primeira vez em 77 anos que o partido não conseguiu eleger representantes para um Parlamento estadual em uma eleição que disputou.
“É um desastre”, afirmou Merz em pronunciamento na sede da CDU, em Berlim. O chanceler disse que seu partido foi “esmagado” em uma disputa polarizada entre a AfD e o SPD, da primeira-ministra estadual Manuela Schwesig. Apesar da derrota, afirmou que pretende manter o rumo do governo e prosseguir com as reformas.



