São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mercado em tempo real
Economia

Vorcaro transferiu mais US$ 1,6 milhão para Dark Horse após cobrança de Flávio

Novo repasse ocorreu em setembro de 2025, depois de Flávio Bolsonaro cobrar parcelas atrasadas do filme sobre seu pai.

Vorcaro fez mais um repasse de US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse após cobranças de Flávio Bolsonaro
Foto: Adriano Machado/Reuters e Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro transferiu US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse em setembro de 2025, poucos dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência, cobrar parcelas que estavam pendentes.

A nova transferência foi divulgada nesta terça-feira (1º) pela revista “piauí”. A informação também foi confirmada pelo g1.

O pagamento se junta a outros seis repasses — dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão — realizados até maio de 2025. Essas operações já tinham sido noticiadas em maio deste ano pelo site The Intercept Brasil e somavam R$ 61 milhões.

“Com esse novo pagamento, que até agora era desconhecido, o total enviado por Vorcaro para a cinebiografia de Bolsonaro passou de 10,6 para 12,3 milhões de dólares — o que, na cotação da época, equivalia a mais de 65 milhões de reais”, informou a “piauí”.

A transferência aparece em um dos inquéritos da Polícia Federal (PF) que investigam o caso, detalhados abaixo. O novo repasse foi localizado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Flávio vinha dizendo que maio de 2025 havia sido o último mês em que Vorcaro fizera um pagamento. A informação foi contrariada agora pela PF. “Olha só. O último pagamento que ele fez [...] foi em maio de 2025”, declarou o senador em entrevista à GloboNews, quando o caso veio a público.

As investigações apontam que os recursos destinados ao filme saíram da Entre Investimentos e Participações, empresa de um aliado do ex-banqueiro. A Entre enviava o dinheiro ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, sob controle de um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Depois, o fundo transferiria os valores à produtora Go Up.

Em um áudio, Flávio afirmou que preferia enviar a mensagem para que Daniel a ouvisse com calma. Disse saber que ele passava por um momento muito difícil, em meio à confusão e às incertezas sobre os próximos passos, e que, embora Daniel tivesse autorizado a cobrança, sentia-se constrangido em continuar cobrando.

Conforme a “piauí”, o repasse realizado em setembro ocorreu oito dias após Flávio cobrar as parcelas vencidas. Pelo acordo original, esses pagamentos poderiam chegar a R$ 134 milhões, segundo o Intercept.

Valor pode ser maior

A quantia enviada por Vorcaro ao filme Dark Horse pode ter sido superior, ainda de acordo com a “piauí”. A revista obteve um trecho inédito de uma conversa entre o ex-banqueiro e o publicitário Thiago Miranda, que participou da captação de dinheiro para a produção.

Em 22 de outubro de 2025, Miranda perguntou ao banqueiro se ele conseguiria liberar as parcelas do filme. Vorcaro respondeu que sim e disse ter liberado mais uma naquele dia. Na sequência, Miranda afirmou que avisaria os responsáveis e que Flávio também havia dito que ligaria para Vorcaro.

A PF informou que não há registro de outros repasses no relatório financeiro do Coaf. Isso, porém, não elimina a possibilidade de uma transferência ter sido feita em 22 de outubro e não ter sido comunicada ao órgão de fiscalização.

“Se esse outro pagamento de 1,6 milhão de dólares foi efetivamente realizado como afirmou o banqueiro, o total desembolsado por ele vai para 14 milhões de dólares, ou 72 milhões de reais”, afirmou a “piauí”.

Na chegada ao Senado nesta terça-feira (1º), Flávio foi questionado por jornalistas sobre o novo repasse divulgado pela piauí. O senador respondeu que o tema deveria ser tratado com a produtora do filme. “Bom, essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso, gente. Tem que perguntar para a produtora, desculpa. Esse assunto eu não tenho como aprofundar. Tem que perguntar para a produtora.”

O financiamento do filme sobre Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).

O primeiro, relatado pelo ministro André Mendonça, examina os repasses feitos por Vorcaro: as circunstâncias das operações, a origem dos recursos, o valor exato e o destino final do dinheiro. Os investigadores suspeitam que uma parte da verba não tenha sido aplicada na produção.

O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura se a produtora Go Up utilizou emendas parlamentares para financiar o filme.

Também existe uma investigação em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, sobre um contrato de mais de R$ 150 milhões firmado entre a Go Up e a prefeitura para instalar pontos de wi-fi em bairros da periferia. O acordo não foi executado por completo, e há suspeitas de desvio de parte dos valores.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.