São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Vorcaro relata propina em doações a Bolsonaro e Tarcísio, mas delação foi rejeitada

Ex-banqueiro disse que pagamentos de R$ 5 milhões foram articulados com Kassab; autoridades recusaram as propostas por falta de fatos inéditos.

Em delação rejeitada, Vorcaro diz que doação a Bolsonaro e Tarcísio era propina articulada por Kassab

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em propostas de delação premiada rejeitadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, que R$ 5 milhões doados às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022 seriam pagamentos de propina articulados com Gilberto Kassab, presidente do PSD.

Bolsonaro recebeu R$ 2 milhões em doação oficial de Fabiano Zettel, seu cunhado. Tarcísio recebeu R$ 3 milhões e foi eleito governador de São Paulo. Depois, Kassab se tornou secretário de Governo do estado.

O relato aparece em três propostas apresentadas por Vorcaro. Todas foram recusadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República, que não identificaram fatos inéditos nas informações fornecidas. Vorcaro está preso desde março e tentou negociar um acordo de colaboração enquanto estava na cadeia.

Segundo o ex-banqueiro, os pagamentos seriam contrapartidas financeiras definidas após um ajuste indevido com Kassab. O objetivo seria manter em funcionamento o Credcesta, cartão de crédito consignado usado pela rede de empresas ligada ao Master para manobras financeiras.

A operação teria começado no governo de João Doria, então no PSDB, por meio de uma empresa ligada a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. A propina, segundo o relato, buscaria preservar o negócio com a chegada de Tarcísio ao governo, em janeiro de 2023.

Vorcaro disse que o acordo previa o pagamento de 5% do resultado líquido das operações com o Credcesta, além de contribuições para campanhas aliadas. Ele afirmou ainda que os pagamentos ocorreram em duas frentes: R$ 5 milhões em doações eleitorais e R$ 10 milhões em caixa dois, em espécie, para o PSD. As transferências informais teriam sido intermediadas por Thiago Botelho.

Kassab classificou a versão como “um relato absolutamente fantasioso” e negou qualquer relação com Vorcaro. Disse conhecer Augusto Lima e Thiago Botelho, mas afirmou que nunca tratou sobre o Credcesta, não recebeu doações nem valores em espécie.

Tarcísio declarou que nunca teve contato ou relação com Vorcaro e que sua campanha foi conduzida dentro da lei. Também afirmou que o credenciamento da empresa ligada ao Master para operar com o Credcesta ocorreu na gestão anterior. Bolsonaro não respondeu até a publicação do relato.

Em junho, Vorcaro foi transferido para a unidade conhecida como Papudinha, no Distrito Federal, após a rejeição de sua segunda proposta. A possibilidade de uma nova negociação voltou a ser considerada dois meses depois. Em agosto, o advogado Daniel Bialski entrou na equipe de defesa e disse que o ex-banqueiro queria colaborar novamente.

Também em junho, o ministro André Mendonça afirmou, em sessão do Supremo Tribunal Federal, que não manteria a prisão de Vorcaro para obter uma delação. Pela lei, a colaboração premiada é meio de obtenção de prova e não pode, sozinha, fundamentar condenações. Os relatos e os materiais apresentados ainda devem ser investigados.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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