SÃO PAULO — Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, defendeu o fim da autonomia universitária e criticou a administração das universidades públicas brasileiras. A declaração foi feita durante evento na Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil), em São Paulo, nesta quinta-feira (10).
O candidato afirmou que o Brasil destina ao ensino superior valores semelhantes aos de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mas não alcança resultados proporcionais. Na avaliação dele, o problema está na gestão dos recursos. “A gestão das universidades públicas brasileiras é uma porcaria”, disse.
Renan afirmou que, se eleito, pretende submeter as instituições públicas ao que considera serem os interesses da população. Para ele, a autonomia permite que reitores administrem as universidades sem atender diretamente às prioridades de quem financia o sistema.
A proposta inclui direcionar recursos para pesquisa, extensão, produção de tecnologia, saúde, biotecnologia e inteligência artificial. Como referências, o candidato citou Israel, Singapura, China e Japão.
Fies, ProUni e ensino técnico
Renan também defendeu a restrição e a reformulação do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e do Programa Universidade para Todos (ProUni). Segundo ele, os programas encaminham estudantes para instituições privadas de baixa qualidade e, no caso do financiamento, podem gerar endividamento.
O candidato disse que apenas universidades privadas consideradas “muito boas” deveriam receber financiamento público. Também afirmou que o ensino médio deve priorizar a formação técnica, em vez de concentrar o foco na obtenção de diplomas universitários.
Como exemplo, citou a Alemanha e afirmou que 50% dos estudantes deixam a escola com formação técnica. “prontos para ter um emprego”, declarou.
Na avaliação de Renan, o aumento no número de diplomas não foi acompanhado por avanço proporcional da produtividade. Ele afirmou que os indicadores internacionais mostram estagnação do país em relação ao restante do mundo e criticou o gasto educacional sem ganho correspondente.


