São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mercado em tempo real
Economia

Queiroz abraça Flávio Bolsonaro em ato em Copacabana e revive caso das rachadinhas

Ex-assessor de Flávio reapareceu no lançamento da candidatura presidencial e recolocou no debate o escândalo investigado na Alerj.

Queiroz abraça Flávio Bolsonaro em ato flopado em Copacabana e ressuscita escândalo das rachadinhas
Foto: Redes Sociais

O ex-operador, hoje subsecretário de Segurança e Ordem Pública de Saquarema, já vinha indicando que pretendia integrar a campanha do antigo chefe.

O lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), realizado em 16 de agosto na praia de Copacabana, teve a presença de um personagem que parecia ter sido deixado no arquivo das antigas dores de cabeça da família: Fabrício Queiroz. Ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Queiroz surgiu abraçado ao senador durante o ato e fez questão de publicar o reencontro nas redes sociais.

A legenda da foto era breve e enigmática somente para quem não acompanhou a política brasileira nos últimos anos: “22 BR”. Para os demais, a imagem não exigia explicações. Tratava-se do retorno de um dos nomes mais ligados ao antigo escândalo das chamadas “rachadinhas” no gabinete de Flávio.

Queiroz, que hoje exerce a função de subsecretário de Segurança e Ordem Pública de Saquarema (RJ), vinha dando sinais de que gostaria de participar da campanha do ex-chefe. Em Copacabana, decidiu fazer mais do que comparecer: também posou para a fotografia. Afinal, se uma campanha presidencial pode começar falando em “mudança”, aparentemente também pode estrear com o reencontro de velhos conhecidos.

Abraço novo, problema antigo

A fotografia rapidamente colocou Queiroz novamente no centro do debate político. O ex-assessor foi apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como uma peça central do esquema investigado no antigo gabinete de Flávio na Alerj.

Em 2020, o MP-RJ denunciou Flávio e Queiroz por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Conforme a acusação, caberia a Queiroz recolher parte dos salários dos servidores do gabinete.

O caso, porém, não chegou a ter uma avaliação definitiva sobre o mérito das acusações. Decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) anularam provas consideradas essenciais para a investigação, e o processo terminou arquivado. Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz sempre negaram a existência de irregularidades.

Desse modo, anos depois, um abraço em Copacabana foi suficiente para fazer a história retornar ao noticiário — sem operação policial, entrevista coletiva ou nova investigação. Uma fotografia cumpriu esse papel.

Clima de déjà vu

O ato que marcou o começo da campanha de Flávio também ficou distante da grandiosidade das manifestações que Jair Bolsonaro havia protagonizado anteriormente na orla de Copacabana. A mobilização foi classificada por adversários como flopada ou abaixo das expectativas.

Flávio discursou contra a política de segurança pública do governo federal, defendeu o pai, que cumpre prisão domiciliar, e prometeu reduzir os gastos públicos.

Enquanto o candidato falava sobre o futuro do país, no entanto, a fotografia ao lado de Queiroz remetia a outro tema: o passado.

Era como se a campanha tivesse escolhido exibir, já na estreia, um conjunto completo de nostalgia política. Bandeiras, discursos, defesa de Jair Bolsonaro e, para completar a cena, uma figura conhecida justamente por um dos capítulos mais incômodos da trajetória política de Flávio.

Queiroz ganhou projeção nacional depois que foram reveladas movimentações financeiras consideradas atípicas em sua conta pelo então Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O caso avançou para uma investigação sobre a existência de um esquema de desvio dos salários de funcionários do gabinete de Flávio na Alerj.

A partir de então, seu nome se tornou uma espécie de palavra-chave involuntária sempre que o assunto é o passado político do senador.

Agora, ao voltar a aparecer abraçado ao antigo chefe justamente no lançamento da candidatura presidencial, Queiroz ajudou a criar uma cena difícil de desconsiderar.

Em vez de procurar manter o passado à distância, a campanha começou levando-o para a areia de Copacabana — literalmente ao lado do candidato.

O abraço, ao menos, deixou uma certeza: para quem esperava uma campanha totalmente voltada ao futuro, o primeiro ato chegou acompanhado de muitas lembranças.

Fórum tem 25 anos

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.