SÃO PAULO — A Associação Movimento Brasil Laico pediu ao Ministério Público Eleitoral de São Paulo a abertura de investigação contra Tarcísio de Freitas (Republicanos) por um ato de campanha realizado em uma igreja. O movimento também quer a inelegibilidade do governador e candidato à reeleição por oito anos.
A associação estende o pedido aos candidatos do PL ao Senado, Guilherme Derrite e André do Prado, além dos dirigentes da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério do Belém. O ato ocorreu em 17 de agosto, na zona leste da capital paulista, diante de cerca de 2.500 religiosos.
Durante o evento, Tarcísio leu uma passagem bíblica e pediu oração para que “Deus abra os caminhos”. Depois, participou de uma reunião de obreiros ao lado dos candidatos ao Senado. Derrite também discursou: disse que poderia pedir votos, mas preferia pedir oração, agradeceu ao trabalho da igreja e afirmou ter colocado sua vida “nas mãos de Deus”.
Alegações da associação
O Movimento Brasil Laico afirma que houve pedido indireto de votos para a chapa e que os candidatos foram beneficiados pela exposição no evento. A entidade aponta propaganda irregular em bem de uso comum, doação estimável em dinheiro e abuso de poder político e econômico.
Segundo a associação, igrejas não podem financiar campanhas eleitorais. O movimento também sustenta que a liberdade religiosa não impede a aplicação das regras eleitorais quando há promoção de candidaturas. Para a entidade, a proibição de propaganda em templos busca preservar a igualdade de chances e impedir o uso da ascendência espiritual na disputa.
André do Prado afirmou, em nota, que sua participação ocorreu exclusivamente como convidado, em um momento de fé e oração. Ele negou pedido de votos, manifestação de campanha ou atividade de natureza eleitoral dentro da igreja. As assessorias de Tarcísio de Freitas e Guilherme Derrite também foram procuradas, mas não há manifestação delas registrada no material disponível.




