O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ter negociado com Daniel Vorcaro pagamentos para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após negar que tivesse ligação com o banqueiro. A mudança ocorreu depois da divulgação de mensagens e áudios em que Flávio cobrava parcelas do acordo.
O projeto, chamado Dark Horse, ainda não foi lançado. Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões para a produção, de um total acordado de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época.
Em nota divulgada na quarta-feira (13/05), Flávio afirmou que buscava um “patrocínio privado para um filme privado”. Em vídeo, disse que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024 e que havia um contrato. Segundo o senador, o banqueiro deixou de pagar as parcelas previstas.
Flávio também negou ter oferecido vantagens em troca do financiamento, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro ou qualquer benefício. Ao mesmo tempo, voltou a defender a instalação de uma CPMI para investigar o Banco Master.
Antes da divulgação das mensagens, porém, o senador havia negado o financiamento. Questionado sobre o assunto na quarta-feira (13/05), respondeu: “É mentira”. Em 23 de março deste ano, ao comentar o caso, classificou como “narrativa falsa que o Lula tem criado” a associação entre sua família, a direita e Vorcaro.
Ataques ao PT e à esquerda
Flávio vinha atribuindo o escândalo do Banco Master ao PT, ao presidente Lula e à esquerda. Em 25 de março, afirmou que os “lulapetistas têm muito a explicar” e cobrou a CPI. Em 9 de maio, disse que o PT havia tentado impedir a comissão e questionou se isso teria relação com políticos da Bahia e com a família de Jaques Wagner.
Em 10 de maio, publicou que o Banco Master, o escândalo do INSS, o Mensalão e o Petrolão eram de Lula. No último fim de semana, durante evento de pré-campanha em Santa Catarina, usou uma camiseta com a frase “O Pix é do Bolsonaro; o Master é do Lula”.
As críticas de Flávio a Rui Costa e Jaques Wagner foram relacionadas à venda de operações de crédito consignado do CredCesta pelo Master. Dados enviados pela Receita Federal à CPI que investiga o crime organizado mostram que, entre 2022 e 2024, o banco registrou R$ 2,4 bilhões em receita com a venda dessas carteiras, enquanto as mesmas operações geraram R$ 1,9 bilhão.
Costa afirma que vendeu um negócio estatal deficitário para reduzir o prejuízo público e nega irregularidades. Wagner também nega envolvimento em negociações ou contratos. A empresa da nora do senador manteve contrato com o Banco Master durante três anos e recebeu pagamentos entre 2022 e 2025.
Em março deste ano, após a divulgação de uma doação de R$ 3 milhões feita pelo cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, à campanha presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio afirmou que não houve vinculação ou contrapartida. Também disse que a relação do Banco Master estava “longe de chegar perto da direita”.
Daniel Vorcaro está preso sob acusação de comandar fraudes bilionárias no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro. Ele negocia um acordo de delação premiada. Flávio afirmou esperar que o banqueiro revele o que sabe nas investigações.




