RIO DE JANEIRO — A evolução dos implantes mamários ampliou as opções de materiais, formatos, superfícies, perfis e técnicas cirúrgicas. A mudança, porém, não significa que mulheres com próteses antigas precisem substituí-las automaticamente.
A discussão voltou às redes sociais após Virginia Fonseca aparecer em meio a questionamentos sobre suas próteses. O caso também trouxe atenção para a contratura capsular, conhecida popularmente como encapsulamento.
A formação de uma cápsula de tecido ao redor do implante é uma resposta esperada do organismo. O problema ocorre quando essa cápsula se contrai de forma excessiva. Entre os possíveis efeitos estão endurecimento da mama, alteração no formato, deslocamento aparente da prótese e dor.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica lista a contratura capsular entre os riscos relacionados aos implantes. A cirurgiã plástica Alessandra Martinelli afirma que a complicação não pode ser atribuída necessariamente a um único fator. Hematoma, infecção e resposta inflamatória do organismo também podem estar envolvidos.
O que mudou nos implantes
A escolha da prótese deixou de seguir uma fórmula única. O planejamento considera a anatomia, a quantidade de tecido mamário, a qualidade da pele, a expectativa da paciente, o tamanho do implante e a técnica utilizada.
Para Alessandra, modelos que eram usados com frequência podem deixar de ser a primeira opção após o surgimento de novas evidências, materiais e formas de buscar resultados mais naturais. Isso não estabelece uma divisão simples entre próteses boas e ruins: a indicação depende das características do implante e das condições de cada paciente.
Quando a troca pode ser avaliada
A idade da prótese, sozinha, não determina a necessidade de substituição. A decisão depende do tipo de dispositivo, do histórico da paciente, dos exames e da existência de alterações.
Endurecimento, mudança no formato da mama, deslocamento aparente, dor ou inchaço devem ser avaliados por um médico, principalmente quando não faziam parte do padrão habitual. Esses sinais não indicam necessariamente uma complicação específica, mas podem justificar investigação.
A orientação é manter acompanhamento médico e buscar avaliação diante de mudanças. A indicação de troca deve ser individualizada.



