FLORIANÓPOLIS — A Polícia Civil concluiu na quinta-feira (9) a investigação sobre a morte de Alberto Pereira de Araújo, de 29 anos, encontrado dentro de uma mala na Praia do Santinho. O corpo foi localizado em 28 de dezembro de 2025. Três pessoas foram indiciadas ao fim do caso.
Matheus Vinícius Silveira Leite, amigo de infância de Alberto, foi apontado como executor direto do homicídio. Ele e Ângela Maria Moro foram indiciados por homicídio qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver e rufianismo.
A terceira pessoa que teve a prisão temporária decretada inicialmente foi indiciada apenas por rufianismo. Conforme a Polícia Civil, não havia elementos seguros para atribuir a ela participação no homicídio ou na ocultação do cadáver.
Esquema investigado
A investigação apontou que os envolvidos mantinham um esquema de rufianismo em um imóvel nos Ingleses, usado para encontros sexuais. O local era chamado de “Império do Prazer”. Para vizinhos e conhecidos, os jovens diziam trabalhar com vendas na internet, tráfego pago e marketing digital.
Matheus era responsável pela liderança do grupo, pelos anúncios, pelos clientes e pela divisão do dinheiro. Alberto atuava sob suas ordens, cuidando da logística da casa, de tarefas cotidianas e do acompanhamento de garotas em “escoltas”. Ângela, gerente do residencial, dava suporte financeiro e operacional, disponibilizava imóveis e cedia contas bancárias para movimentar os valores.
Uma mulher que trabalhava no negócio relatou que a divisão financeira previa 50% do valor dos programas para a garota, 30% para os gestores e 20% para despesas e manutenção da casa.
Dinâmica do homicídio
Segundo a investigação, a relação entre Alberto e Matheus se deteriorou após desentendimentos. Havia o temor de que Alberto contasse à polícia sobre o passado de Matheus, inclusive sobre a condição de foragido por um homicídio cometido em São Paulo.
Alberto teria sido atraído por Matheus para um encontro no imóvel usado pelo grupo. Conforme a Polícia Civil, ele foi morto no local. Depois, o corpo foi desmembrado, teve os restos colocados em uma mala e em sacolas e foi abandonado no costão da Praia do Santinho.
A apuração também apontou semelhanças com a morte de Luciani Aparecida Estivalet Freitas, corretora gaúcha. Em março de 2026, a investigação desse caso identificou coincidências materiais, logísticas e comportamentais. As duas vítimas foram esquartejadas e tiveram as pontas dos dedos removidas para dificultar a identificação.
Alberto estava envolto em um lençol de marca destinada ao setor hoteleiro, igual aos enxovais apreendidos no local onde Luciani morava. A corretora vivia em uma pousada no Norte da Ilha administrada por Ângela Moro, onde Matheus e Alberto também moravam. O imóvel ficava a 800 metros em linha reta do ponto no costão onde o corpo foi abandonado.
A defesa de Ângela, representada pelos advogados Matheus Menna e Osvaldo Duncke, informou que se manifestará apenas nos autos. A defesa de Matheus não foi localizada.



