São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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PF não identifica destino de R$ 6,17 milhões recebidos por associação ligada a “Dark Horse”

A ANC recebeu valores de empresas ligadas ao Instituto Conhecer Brasil, mas informou movimentação bancária inferior à registrada nas transações de terceiros.

Dark Horse: Investigação não encontra destino de R$ 6 milhões recebidos por entidade ligada à produtora do filme

A Polícia Federal ainda não identificou o destino de R$ 6.175.273,64 recebidos pela Academia Nacional de Cultura (ANC), associação presidida por Karina Ferreira Gama, empresária que também comanda a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, dedicado a Jair Bolsonaro (PL).

Os repasses ocorreram entre julho de 2024 e dezembro de 2025. Nesse período, quatro empresas transferiram recursos à ANC depois de terem recebido dinheiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB), também ligado a Karina Gama. As operações foram identificadas em Relatórios de Inteligência Financeira produzidos pelo Coaf.

A movimentação informada pela própria associação, porém, foi menor. Em relatório financeiro referente ao período entre maio de 2025 e maio de 2026, a ANC registrou R$ 1,1 milhão em movimentações, sendo R$ 565 mil em créditos e R$ 525 mil em débitos. A diferença levou a PF a considerar a possibilidade de existência de outras contas bancárias não informadas ao Coaf.

“Chama a atenção o fato de ser essa a única comunicação de titularidade da ANC”, afirma a investigação, que aponta a ausência de registros compatíveis com os valores recebidos pela entidade. Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), também destacou a discrepância na decisão que autorizou a operação realizada na quinta-feira (10).

A apuração sobre o financiamento de “Dark Horse” avançou após Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, afirmar que pediu recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção. Dos cerca de R$ 130 milhões prometidos pelo ex-banqueiro, R$ 60 milhões teriam sido repassados.

Recursos públicos sob investigação

A PF verifica se verbas públicas também foram desviadas para o filme. A suspeita envolve R$ 1 milhão em emendas do deputado Mario Frias (PL-SP) destinadas ao ICB e um contrato de R$ 108 milhões firmado pelo instituto com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de wi-fi. A hipótese é que parte dos recursos tenha circulado por empresas e entidades associadas a Karina Gama, incluindo a ANC e a Go Up Entertainment.

A Polícia Civil de São Paulo apura ainda se o ICB usou faturas e notas fiscais frias para justificar despesas pagas com dinheiro municipal.

A ANC também recebeu R$ 2,6 milhões em emendas para uma série sobre heróis nacionais. Os recursos foram destinados por Marcos Pollon (PL-MS), Bia Kicis (PL-DF), Carla Zambelli e Alexandre Ramagem. Segundo a PF, as emendas de Bia Kicis e Marcos Pollon não foram transferidas à entidade pelo governo paulista por problemas normativos e técnicos. Em 2025, Gil Diniz destinou R$ 200 mil à produção, pagos em agosto daquele ano.

A defesa de Karina Gama afirmou que ela entregou mais de 20 mil laudas de documentos e negou a prática de ilícitos. Outra frente apura se parte dos valores pagos por Vorcaro foi enviada aos Estados Unidos para despesas de Eduardo Bolsonaro.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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