As projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para o fim de fevereiro de 2027 indicam cenários opostos para os reservatórios. No cenário otimista, a Energia Armazenada no conjunto do sistema ficará 15,3 pontos percentuais acima do mesmo período de 2026. Na hipótese menos favorável, será 10,6 pontos percentuais inferior.
No Sudeste/Centro-Oeste, a diferença em relação a fevereiro de 2026 pode chegar a 13,2 pontos percentuais acima ou 13,7 pontos percentuais abaixo, conforme o cenário. Para o Sistema Interligado Nacional (SIN), as afluências devem variar entre 111% e 80% da média histórica de setembro de 2026 a fevereiro de 2027.
Diferenças entre as regiões
O boletim do Programa Mensal de Operação prevê, no fim de setembro, Energia Natural Afluente de 253% da Média de Longo Termo (MLT) no Sul e de 114% da MLT no Sudeste/Centro-Oeste. No Nordeste, a projeção é de 69% da MLT; no Norte, de 49% da MLT.
Para o armazenamento dos reservatórios, o ONS estima 94,3% no Sul, 74,1% no Norte, 66,4% no Nordeste e 55,7% no Sudeste/Centro-Oeste. As condições ficaram menos favoráveis no Sudeste/Centro-Oeste em relação ao estudo anterior. A região e o Nordeste, porém, têm perspectiva de iniciar o período úmido dentro da normalidade. No Norte, as vazões devem ser mais moderadas, enquanto o Sul mantém condições favoráveis devido à precipitação.
Possível acionamento térmico
O ONS avalia que poderá precisar acionar toda a geração termelétrica a partir de setembro. A decisão dependerá da evolução da demanda e das condições hidroenergéticas durante o período associado ao Super El Niño.
O tema foi discutido no Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que avaliou os possíveis impactos do fenômeno no Brasil. Para setembro, a previsão é de chuva acima da média nas bacias do Sul, próxima da média histórica no Sudeste/Centro-Oeste e menor nas regiões Norte e Nordeste.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, afirmou que o operador acompanhará mês a mês a transição entre os períodos seco e úmido e a evolução do El Niño para levar recomendações ao CMSE. O uso da totalidade das usinas térmicas poderá ser necessário se o aumento da demanda coincidir com condições hidroenergéticas piores.



