RIO DE JANEIRO — A morte de um animal de estimação pode provocar um luto intenso porque a convivência diária incorpora o pet à rotina e à dinâmica afetiva da família. A avaliação é do psiquiatra especializado em Psiquiatria Infantil Tales Vilela.
Rafa Kalimann relatou a morte de Alfredo, um golden retriever que integrou sua família por cerca de oito anos. Ao se despedir, definiu o sentimento como “uma dor muito diferente”. Em junho, Tatá Werneck também contou que teve dificuldades para cumprir a agenda de gravações após a morte de um cachorro. Em agosto, Angélica e Luciano Huck lamentaram a perda de Obama, enquanto Junno Andrade e Xuxa se despediram de Theozinho.
Para Vilela, o animal participa de horários, hábitos, momentos importantes e pequenas interações construídas ao longo dos anos. Por isso, a perda não representa apenas a ausência física do pet, mas também a mudança na presença cotidiana dentro de casa.
Por que o sofrimento pode ser minimizado
Frases como “era só um cachorro” e “você pode ter outro” podem desconsiderar a importância do vínculo. O psiquiatra afirma que não existe uma hierarquia entre diferentes tipos de perda: a intensidade do luto depende do significado que aquela relação tinha para cada pessoa.
Uma convivência diária durante dez ou quinze anos pode resultar em tristeza, saudade e alterações importantes na rotina. Nesse contexto, reduzir a perda à condição de “só um animal” pode ampliar a sensação de solidão, em vez de oferecer acolhimento.
Como abordar a perda com crianças
A morte de um cachorro ou gato pode ser o primeiro contato concreto de uma criança com a finitude. Segundo Vilela, evitar o assunto ou dar explicações confusas tende a dificultar a compreensão.
A recomendação é conversar de acordo com a idade e a capacidade de entendimento da criança, com linguagem clara e acolhedora. Também pode ajudar permitir perguntas, reconhecer a tristeza, criar um pequeno ritual de despedida, guardar fotografias e recordar histórias felizes.
Não há prazo fixo para o luto
Cada pessoa reorganiza a vida em um ritmo. Algumas retomam a rotina em pouco tempo; outras precisam de semanas ou meses para elaborar a ausência. O principal é observar quanto a tristeza interfere no cotidiano.
Quando o sofrimento permanece muito intenso, impede atividades, provoca alterações importantes de sono e alimentação, causa isolamento persistente ou deixa a pessoa profundamente incapacitada, Vilela recomenda buscar ajuda profissional. A perda do pet também pode se somar a vulnerabilidades já existentes.



