São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mercado em tempo real
Brasil

Instituto ligado a produtora de filme sobre Bolsonaro repassou R$ 3 milhões a empresa investigada

Notas fiscais mostram pagamentos em 2025 à Favela Conectada, contratada para atuar no WiFi Livre SP, da Prefeitura de São Paulo.

Instituto ligado a produtora de filme sobre Bolsonaro repassou R$ 3 milhões a empresa investigada

O Instituto Conhecer Brasil (ICB) repassou R$ 3 milhões à Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. em 2025. A empresa tinha entre os sócios Alex Leandro Bispo dos Santos, citado em decisão de Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), como possível integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). A suspeita ainda é investigada e não representa condenação.

Os pagamentos aparecem em notas fiscais reunidas na apuração sobre contratos do WiFi Livre SP, programa da Prefeitura de São Paulo para oferta de internet gratuita. Foram registrados R$ 500 mil em 24 de junho, R$ 500 mil em 4 de julho e R$ 2 milhões em 7 de julho de 2025. Os documentos descrevem serviços de disponibilização de conteúdos de imagem e texto pela internet.

Contratos e investigação

A Favela Conectada foi contratada pelo ICB para atuar no programa municipal, em um acordo de R$ 12 milhões. O Instituto Conhecer Brasil mantém contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para executar o WiFi Livre SP.

O ICB é administrado por Karina Gama, que também controla a Go Up Entertainment, responsável por produzir Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. A investigação verifica se houve relação entre recursos destinados a entidades ligadas à produtora e o financiamento do longa. A Polícia Federal também apura a suspeita de que R$ 750 mil enviados à produtora tenham vindo de emendas parlamentares.

Após a prisão preventiva de Alex, em dezembro de 2025, sob suspeita de envolvimento na morte da própria esposa, a composição societária da Favela Conectada mudou. Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes passou a controlar formalmente a empresa, que depois adotou o nome Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda.

A Polícia Civil apontou suspeitas sobre a alteração e registrou a possibilidade de “blindagem patrimonial e ocultação de pessoas”. A hipótese segue sob investigação. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também integram a apuração e indicaram o ICB como um dos principais captadores de recursos entre as entidades analisadas.

A defesa de Karina Gama afirmou que ela não praticou irregularidades e defendeu o levantamento do sigilo das investigações. Em nota, os advogados disseram que a divulgação dos documentos permitirá a análise dos fatos sem conclusões antecipadas e que a produtora continuará colaborando com as autoridades. Até o fechamento, a Prefeitura de São Paulo não havia se manifestado.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.