RIO DE JANEIRO — Uma assessora de Flávio Bolsonaro negociou a liberação de emendas parlamentares com Robson Calixto, o “Peixe”, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato de Marielle Franco. As conversas foram extraídas do celular de Calixto durante uma investigação da Polícia Federal.
O senador destinou R$ 199 mil a um projeto de futebol do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o Ifop, localizado na Taquara, no Rio. A área é apontada como de influência de Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, condenados pelo STF como mandantes da morte de Marielle.
A PF identificou indícios de desvios nos repasses. Nas mensagens, a assessora Maria de Fátima Bezerra Castro orienta Calixto a enviar um email ou ofício com o pedido. Em outra conversa, ele pergunta se o senador poderia ajudar o projeto e depois cobra atualizações. “Vê se o senador consegue nos agraciar, para não terminar o nosso projeto”, escreveu.
A assessoria de Flávio afirmou que os repasses seguiram a lei e critérios técnicos do Ministério do Esporte. Também disse que a entidade apresentou notas fiscais, devolveu os valores não utilizados e que a execução dos recursos cabe à organização beneficiária.
Outras mensagens
Os registros incluem um pedido de quatro ingressos para o desfile das campeãs no camarote Arpoador. Os investigadores classificaram a solicitação como vantagem indevida.
Em outra troca, Maria de Fátima convidou Calixto para uma cerimônia de entrega de coletes à Polícia Militar do Rio e pediu que ele levasse Chiquinho Brazão para cobrar pessoalmente a liberação dos recursos. “Leva o deputado”, escreveu.
Chiquinho e Domingos Brazão receberam, cada um, pena de 76 anos e 3 meses de prisão. Calixto foi condenado a 9 anos de reclusão por integrar a milícia. O advogado de Calixto não respondeu aos contatos. A defesa de Chiquinho disse que não se manifestaria, e a defesa de Domingos afirmou não cuidar do tema das emendas.



