SÃO PAULO — O físico Gabriel Hoerning, formado pela Udesc em Joinville, participa de uma colaboração internacional que desenvolveu um novo mapa da Via Láctea em ondas de rádio. O trabalho combinou observações de diferentes telescópios para produzir uma representação mais limpa e nítida da emissão da galáxia.
A equipe reuniu 35 mapas e construiu uma representação do céu em uma frequência de aproximadamente 5 GHz. Os dados foram analisados estatisticamente, já que esse tipo de radiação não pode ser visto pelos olhos humanos e precisa ser detectado por telescópios.
Gabriel integra a colaboração desde 2023. Depois da graduação, concluída no fim de 2020 e início de 2021, ele se mudou para São Paulo para fazer mestrado no Instituto de Física da USP. Nesse período, entrou em contato com pesquisadores da Inglaterra e depois foi aceito no doutorado da Universidade de Manchester.
O que o mapa mostra
Como a Terra está dentro da Via Láctea, o mapa não é uma fotografia da galáxia vista de fora. Ele representa como a emissão aparece a partir do ponto de observação terrestre. As diferentes intensidades da radiação foram convertidas em cores: tons mais próximos do vermelho indicam maior brilho, enquanto os azuis representam menor intensidade.
A faixa vermelha no centro corresponde ao disco principal da galáxia, onde estão as estrelas e o sistema solar. Fora dessa região, os pesquisadores identificaram estruturas que podem ser estudadas com o novo mapa, como o Arco Polar Norte.
Segundo Gabriel, o arco pode estar relacionado a uma estrela próxima ao sistema solar que morreu em uma supernova e deixou um remanescente. A estrutura aparece como uma grande bolha brilhante na frequência de rádio.
Aplicações para a cosmologia
O mapa também pode ajudar no estudo da radiação cósmica de fundo, uma luz antiga produzida quando o Universo ainda era muito jovem. Os astrônomos calculam que o Universo tem por volta de 13,7 bilhões de anos, enquanto essa radiação foi lançada quando ele tinha 300 mil anos.
Para analisar essa luz, os pesquisadores precisam identificar e remover a emissão da própria galáxia. A radiação cósmica de fundo pode trazer informações sobre a idade do Universo, sua evolução, seu estado atual e seu futuro.
O mapa anterior usado para esse tipo de estudo havia sido produzido em 1984. Para Gabriel, o novo trabalho deve ser usado como referência por pelo menos 10 anos, por apresentar uma imagem mais limpa e nítida.



