São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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CBO recomenda consultas oftalmológicas conforme idade e fatores de risco

Documento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia indica quando fazer exames e reforça o acompanhamento de pessoas com diabetes e outras condições.

CBO recomenda consultas oftalmológicas conforme idade e fatores de risco

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) divulgou um calendário de acompanhamento da visão que considera a idade, doenças crônicas, histórico familiar e outros fatores de risco. O documento foi lançado nesta quinta-feira (10), durante o 70º Congresso da especialidade, realizado até sábado (12), em Salvador.

A entidade recomenda que a frequência das consultas seja definida pelo oftalmologista. Os intervalos indicados servem como referência mínima para pessoas sem doença ocular conhecida e sem fatores de risco. O objetivo é identificar alterações que podem avançar sem sintomas e levar a danos visuais permanentes.

Frequência indicada por idade

Na maternidade, o recém-nascido deve fazer o teste do reflexo vermelho nas primeiras 72 horas de vida ou antes da alta. Se houver alteração, o bebê precisa ser encaminhado rapidamente ao especialista.

Entre 0 a 36 meses, o teste deve ser repetido nas consultas médicas pelo menos três vezes ao ano durante os três primeiros anos. A avaliação também deve observar o desenvolvimento da visão, a fixação e o alinhamento dos olhos. A primeira consulta oftalmológica completa é indicada entre 6 a 12 meses.

De 3 a 5 anos, a orientação é realizar ao menos uma avaliação completa, de preferência antes da alfabetização. O exame inclui a análise dos olhos, da função visual, dos movimentos e do alinhamento ocular, além da medição do grau real e da avaliação do fundo de olho com dilatação.

Na idade escolar e na adolescência, até 18 anos, deve haver reavaliação periódica e uma consulta completa entre 12 e 18 anos. Segundo o CBO, esse é o período em que a miopia mais surge e cresce entre estudantes.

Para adultos até 39 anos, a recomendação é manter avaliações mesmo sem sintomas. A partir dos 40 anos, a consulta deve ser anual. Em idosos, o acompanhamento deve ocorrer pelo menos uma vez por ano, com atenção para catarata senil e glaucoma.

Após os 40 anos, a prevalência do glaucoma chega a cerca de 2%. A degeneração macular pode atingir 2,2% das pessoas entre 70 e 79 anos e até 10,3% daquelas com 80 anos ou mais, conforme estimativas baseadas em dados internacionais.

Situações que exigem maior controle

Diabetes, histórico familiar de doenças oculares, miopia, prematuridade, uso de corticoides e lentes de contato estão entre as condições que podem reduzir o intervalo entre as consultas. A decisão cabe ao médico, após avaliação individual.

Cerca de 50% dos pacientes com diabetes desenvolvem algum grau de retinopatia diabética. A proporção chega a aproximadamente 80% após 25 anos de doença, e o risco de cegueira é quase 30 vezes maior. O CBO recomenda exame com as pupilas dilatadas desde o diagnóstico e acompanhamento regular, mesmo sem queixa visual. Gestantes com diabetes precisam de monitoramento específico.

Parentes de primeiro grau de pessoas com glaucoma têm entre quatro e oito vezes mais chance de desenvolver a doença. Pessoas com mais de 50 anos, afrodescendentes e pacientes com pressão intraocular elevada devem fazer avaliação completa, incluindo exame do nervo óptico e medição da pressão do olho.

Crianças míopes devem ser acompanhadas a cada 12 meses. Quando a miopia não está controlada, o intervalo recomendado é de seis meses. Recém-nascidos com peso igual ou inferior a 1.500 gramas ou idade gestacional igual ou inferior a 32 semanas precisam ser rastreados para retinopatia da prematuridade nas primeiras semanas de vida.

O uso prolongado ou recorrente de corticoides também exige acompanhamento. De 30% a 40% dos indivíduos podem apresentar aumento da pressão intraocular por causa desses medicamentos, percentual que fica entre 5% a 6% em situações elevadas. Usuários de lentes de contato devem passar por consulta ao menos anual, ou antes disso se houver suspeita de alteração na córnea, no grau ou na acuidade visual.

O documento também cita usuários de canetas emagrecedoras, hipertensos, pessoas com doenças reumatológicas ou autoimunes e pacientes que tomam remédios com potencial de toxicidade ocular. O tabagismo é apontado como fator de risco para degeneração macular, dependendo da idade.

Atendimento e prevenção

O CBO afirma que consultas e exames devem ocorrer em consultórios, postos de saúde e hospitais com estrutura, equipamentos e condições sanitárias conforme as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O atendimento deve ser feito por profissional com formação médica.

O teste do reflexo vermelho pode indicar catarata e glaucoma congênitos, opacidades da córnea, tumores intraoculares, inflamações importantes e hemorragias dentro do olho. Na infância, a correção dos erros de refração é relevante para o desempenho escolar e a socialização.

A ambliopia, conhecida como olho preguiçoso, pode ser prevenida com exame até os 3 anos. Dados internacionais reunidos pelo conselho indicam que 40% das crianças cegas poderiam ter evitado ou tratado essa consequência com acesso ao oftalmologista no momento adequado.

O CBO estima que cerca de 1,5 milhão de pessoas sejam cegas no Brasil. Catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular estão entre as principais causas no país e atingem principalmente idosos.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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