Despejar borra de café no vaso sanitário para perfumar o banheiro pode aumentar o risco de obstruções na tubulação. As partículas não se dissolvem na água e seguem pelo encanamento como resíduos sólidos, mesmo quando acompanhadas de água quente.
O aroma do café pode mascarar outros cheiros por algum tempo, mas não elimina a origem do mau odor. Se o banheiro continuar com cheiro desagradável após a limpeza, é preciso observar ralos, sifões, a vedação do vaso e a ventilação. Falhas nesses pontos podem permitir a passagem de gases da tubulação.
O que acontece nos canos
Depois da descarga, a borra permanece em forma de partículas sólidas. Com o uso repetido, esse material pode se depositar nas tubulações e se juntar a outros resíduos acumulados, reduzindo a passagem da água e favorecendo entupimentos.
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, conhecida como EPA, inclui a borra de café entre os materiais que não devem ser descartados no vaso sanitário ou pelos ralos. O SAAE de Viçosa, em Minas Gerais, também orienta que resíduos sólidos e restos de alimentos não sejam enviados à rede de esgoto.
De acordo com o órgão, materiais inadequados podem provocar obstruções e danificar equipamentos usados na coleta e no tratamento do esgoto. A recomendação se estende às gorduras: a água quente pode amolecê-las de forma temporária, mas elas tendem a se solidificar novamente quando esfriam dentro dos canos.
Para a limpeza, a orientação é usar produtos adequados às superfícies e evitar o descarte de materiais sólidos pela descarga. A borra pode ser encaminhada para compostagem com outros materiais orgânicos compatíveis, em vez de seguir para a rede de esgoto.
O vaso sanitário, portanto, não deve ser usado como lixeira. A água quente pode transportar a borra para mais longe, mas não faz o pó desaparecer nem impede que ele continue circulando pela tubulação como matéria sólida.



