São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Ataques a Nossa Senhora Aparecida atravessam décadas e chegam ao debate político

Comentário sobre projeto arquivado em 2008 reacendeu o histórico de ataques à imagem e a críticas de setores evangélicos ao culto mariano.

Ataques a Nossa Senhora Aparecida atravessam décadas e chegam ao debate político

Um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes, feito em 24 de setembro de 2026 no programa GloboNews Em Pauta, reacendeu o debate sobre a pressão de setores evangélicos contra o título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. A emissora pediu desculpas e informou que o projeto de lei mencionado havia sido arquivado em 2008.

O texto havia sido apresentado pelo deputado e pastor Victório Galli, posteriormente nomeado assessor especial do governo de Jair Bolsonaro. A declaração de Flávio Bolsonaro de que pretende decretar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo” também foi associada, no debate, ao ativismo contrário à devoção mariana.

A imagem e o atentado de 1978

Esculpida em terracota por volta do ano 1600, a imagem foi encontrada por três pescadores no Rio Paraíba do Sul em 1717. A peça, originalmente uma representação de Nossa Senhora da Conceição, passou a ser chamada de Nossa Senhora Aparecida depois que sua cabeça e seu corpo foram retirados das águas em momentos diferentes da pescaria.

A imagem mede cerca de 36 centímetros e pesa 2,5 quilos. Em 1745, foi transferida para uma capela no Morro dos Coqueiros. A construção da primeira Basílica de Nossa Senhora Aparecida começou em 1834 e terminou em 1888. Em 1930, um decreto assinado pelo Papa Pio XI oficializou Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.

A nova Catedral Basílica começou a ser construída em 1955. Com 145 mil m², o templo foi transformado em Santuário Nacional em 1983 e recebe, em média, 12 milhões de peregrinos por ano.

Em 16 de maio de 1978, durante um blecaute provocado por uma tempestade, Rogério Marcos de Oliveira, então com 19 anos, invadiu o espaço do nicho na Basílica Velha de Aparecida. Ele quebrou o vidro, retirou a imagem e, ao deixar o local, provocou a queda da cabeça da escultura. Depois, arremessou o corpo ao chão, fragmentando-o em mais de 200 pedaços.

A restauração foi realizada por Maria Helena Chartuni, chefe do Departamento de Restauro do Museu de Arte de São Paulo (MASP), após recomendação de Deoclecio Redig de Campos, conservador dos Museus Vaticanos. O trabalho durou mais de dois meses, e a imagem retornou ao santuário em agosto de 1978.

Outros ataques e a disputa política

Levantamentos posteriores indicaram que Rogério integrava um grupo protestante que considerava imagens religiosas formas de idolatria. Antes do atentado em Aparecida, ele havia atacado uma imagem em uma paróquia de São José dos Campos. Como sofria de transtornos psiquiátricos, não houve denúncia da Igreja Católica, e ele foi liberado sem abertura de inquérito.

Em 12 de outubro de 1995, durante o programa Show da Fé, o pastor Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, chutou e socou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Ele foi condenado por discriminação religiosa e vilipêndio a objeto de culto.

A sequência de ataques incluiu um monumento destruído a marretadas em Águas Lindas de Goiás, em 2012; imagens danificadas em igrejas de Minas Gerais, em 2014; duas peças destruídas em Duque de Caxias, em 2016; e uma imagem quebrada a marteladas pela pastora Zélia Ribeiro, de Botucatu, em 2017.

Em 2021, o pastor Miguel Moreira destruiu e queimou uma imagem em Santo Antônio da Platina, no Paraná. No ano seguinte, um homem danificou com um bastão uma grande imagem instalada em uma praça de Praia Grande, no litoral paulista.

A disputa também alcançou a política. Em 2021, o deputado estadual Frederico D’Ávila insultou o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, e criticou o Papa Francisco e a CNBB. Em 12 de outubro de 2022, Jair Bolsonaro visitou o Santuário Nacional de Aparecida durante a campanha eleitoral. A presença provocou críticas de setores da Igreja Católica, enquanto apoiadores fizeram manifestações e entoaram gritos de “mito” dentro do complexo religioso.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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