Um relatório interno da Polícia Federal usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, reúne hipóteses de baixa confiança sobre a atuação do ministro André Mendonça em investigações relacionadas ao Banco Master e aos desvios do Instituto Nacional do Seguro Social. O documento não tem autoria identificada e foi classificado pela própria PF como sem valor probatório.
O material analisa a relação de Mendonça com autoridades e afirma que ele teria concentrado medidas contra Moraes e outras pessoas, entre elas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, enquanto pouparia outros investigados por razões pessoais e políticas. A PF, porém, ressalva que o relatório não autoriza providências formais nem manifestação externa.
Entre as hipóteses está a de que Mendonça tentaria enfraquecer Alcolumbre por meio de Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil. A avaliação associa a iniciativa a uma suposta disputa pela presidência do Senado e a possíveis efeitos sobre pedidos de impeachment de ministros do STF. O documento também menciona uma eventual recomposição de forças no tribunal favorável à anistia dos condenados pelos ataques de 8 de Janeiro. Essas conclusões são apresentadas como conjecturas de baixa confiabilidade.
Jorge Messias e a atuação no caso
O advogado-geral da União, Jorge Messias, aparece no relatório após a decisão da Advocacia-Geral da União de não recorrer contra medidas de Mendonça que restringiam atos administrativos da PF. A corporação atribuiu a decisão ao interesse de Messias em preservar a relação política com o ministro. O documento relaciona essa hipótese à rejeição de sua indicação ao STF pelo Senado em abril de 2026 e a uma tentativa de renovar a indicação.
A PF classificou essa avaliação com confiança agregada baixa e afirmou que ela serviria apenas ao monitoramento e à coleta dirigida de inteligência interna.
O relatório também diz que Mendonça teria buscado abrir investigação contra Moraes e determinado diligências de ofício, sem apresentação prévia de elementos pela PF ou pela Procuradoria-Geral da República. O documento aponta tratamento diferente em comparação com Gilmar Mendes, Luiz Fux, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, mas reconhece baixa confiança por falta de comparação documental.
PF, PGR e diferença entre investigados
Paulo Gonet e Andrei Rodrigues são citados uma vez. Segundo o relatório, Mendonça teria questionado a proximidade de Andrei com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a relação de Gonet com Gilmar Mendes. As informações sobre reuniões de pressão têm confiança baixa a moderada por se basearem em relatos verbais.
A PF também afirma que Mendonça teria assumido funções de investigação nos casos do INSS e do Banco Master, incluindo a escolha de delegados e o acesso ao acervo de provas. O documento aponta ainda diferenças nos prazos de análise de pedidos de busca envolvendo Jaques Wagner, Ciro Nogueira e Cláudio Castro: nove dias, 29 dias e 75 dias, respectivamente. A própria PF ressalva que a amostra era pequena, seletiva e não controlada, classificando a hipótese como indiciária e de baixa confiança.
O relatório afirma que Mendonça atuava, nos casos, com poderes de presidência da investigação, e não apenas de supervisão judicial. Esse é um dos argumentos apresentados dentro do STF para que ele deixe a relatoria, que inclui entre os investigados o filho de Lula.




