Domingo, 6 de setembro de 2026
Mercado em tempo real
Política

Cármen Lúcia mantém voto em aberto na disputa entre Moraes e Mendonça no STF

Ministra diz que decidirá com base nos autos, enquanto os dois grupos buscam seu apoio nas deliberações sobre a crise na corte.

Cármen Lúcia mantém voto em aberto na disputa entre Moraes e Mendonça no STF

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda não decidiu se apoiará Alexandre de Moraes ou André Mendonça nas deliberações sobre a crise interna da corte. O voto é considerado decisivo para a disputa pela liderança dos grupos formados em torno dos dois ministros.

O STF deverá analisar as medidas adotadas por Mendonça nas apurações sobre o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Essas investigações resultaram em um relatório da Polícia Federal que aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Também estará em avaliação a decisão de Moraes de usar o inquérito das fake news para pedir uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. A medida foi tomada depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF com diálogos entre Vorcaro e Moraes, incluindo uma mensagem em que o banqueiro perguntava se deveria deixar o país antes de ser preso, em 2025.

Na quinta-feira (3), antes do contra-ataque de Moraes, Cármen telefonou para o ministro e demonstrou solidariedade diante da exposição pública. Moraes interpretou o contato como um aceno, mas a ministra não prometeu apoio em votações futuras. Depois, Cármen relatou a uma pessoa próxima perplexidade com a atuação dos dois colegas e com a erosão interna do tribunal.

A ministra afirmou a auxiliares que decidirá exclusivamente com base nos autos, cuja íntegra ainda não acessou. Nos bastidores, há apostas sobre a ala à qual ela se juntará. Moraes tem o apoio de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Mendonça calcula contar com Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Edson Fachin. Dias Toffoli não participará das votações, por ter se declarado suspeito nos casos relacionados ao Master.

Os dois ministros dizem confiar na adesão de Cármen. Aliados de Mendonça defendem que a corte não pode ignorar a suspeita de que um ministro tenha integrado a rede de influência de Vorcaro. O grupo de Moraes, por sua vez, afirma que Mendonça agiu para expô-lo e desrespeitou decisão anterior do plenário e o regimento interno do STF.

Cármen já se alinhou a Mendonça na defesa de um código de conduta para o Supremo, proposta da qual é relatora. Ao mesmo tempo, acompanhou Moraes em todos os votos da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado. Interlocutores da ministra dizem que ela não mantém alinhamento irrestrito com nenhuma das alas e que seus votos seguem a Constituição.

Em 2021, ao votar pelo reconhecimento da parcialidade do ex-juiz Sergio Moro em casos envolvendo Lula, Cármen afirmou: “Todo mundo tem direito de ter um julgamento justo diante de um juiz ou de um tribunal imparcial”. Na mesma ocasião, disse que o combate à corrupção “é obrigatório e precisa ser feito”.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.