NITERÓI — A Estrada Francisco da Cruz Nunes liderou o ranking de acidentes de trânsito em Niterói em 2024, com 175 ocorrências. A Alameda São Boaventura ficou em segundo lugar, com 109 registros. Na atualização mais recente de 2025, contabilizada até outubro, as duas vias somaram 160 e 111 acidentes, respectivamente.
Os dados são da NitTrans, que mapeou 20 corredores viários prioritários para ações de segurança. Juntos, esses pontos concentram 45,6% dos registros de acidentes da cidade.
As duas vias foram palco de ocorrências em abril. Na Estrada Francisco da Cruz Nunes, em Itaipu, um carro capotou durante a noite de 12 de abril e parou sobre a calçada de um posto de combustíveis. Um homem e uma mulher tiveram ferimentos leves e receberam atendimento do Corpo de Bombeiros.
Na Alameda São Boaventura, no Fonseca, Nilton Doria de Oliveira morreu após se envolver em uma colisão enquanto pilotava uma motocicleta. Imagens de câmeras de segurança registraram o arremesso contra um poste às margens da via. A família afirmou que o acidente foi provocado por uma ultrapassagem imprudente.
Niterói tem cerca de 500 mil habitantes e uma frota de aproximadamente 304 mil veículos. Em 2025, foram registradas 2.328 colisões, 639 quedas, 430 atropelamentos e 36 capotagens. Em 2024, os números foram 2.114 colisões, 640 quedas, 422 atropelamentos e 62 capotagens.
O professor Levi Salvi, do setor de transportes do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal Fluminense (UFF), disse que o traçado das duas vias pode favorecer velocidades acima dos limites permitidos. Ele destacou que não há um estudo específico sobre as causas dos índices e citou a ausência de redutores físicos e a baixa fiscalização eletrônica.
“grosso modo, os motoristas conseguem desenvolver ali velocidades acima do permitido”, afirmou Salvi. Para o professor, equipamentos de fiscalização eletrônica poderiam controlar a velocidade de forma contínua, inclusive à noite.
O presidente da NitTrans, Nelson Godá, relacionou a posição das vias no ranking à extensão dos corredores, ao fluxo de veículos, pedestres e transporte coletivo e à ligação entre municípios. “Estamos avançando para uma política cada vez mais preventiva”, disse.
A prefeitura criou um Plano de Ações Prioritárias para os pontos considerados mais críticos. O programa prevê reforço da fiscalização, intervenções em cruzamentos, melhorias em calçadas e travessias, ações em áreas escolares e iniciativas voltadas a motociclistas, pedestres e ciclistas. A meta é reduzir em 40% as mortes no trânsito até 2030.
O planejamento terá apoio técnico do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por meio do projeto Visão Zero. A proposta é cruzar dados de acidentes com as condições das ruas para orientar medidas de infraestrutura, sinalização, controle de velocidade e fiscalização.



