A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pelo voto cristão ganhou um novo foco a seis dias das eleições: o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Lula citou versões divulgadas nas redes sociais segundo as quais Flávio retiraria esse título da santa católica. O candidato negou a acusação.
A declaração de Lula ocorreu no domingo (27), depois de Flávio afirmar que nunca houve um plano para mudar o status de Nossa Senhora Aparecida e acusar o governo de disseminar fake news. “Todo mundo viu que eu sou uma pessoa que respeita as religiões. Todas!”, disse o candidato.
Lula afirmou à Band: “Ela vai ser patroeira do Brasil porque o povo brasileiro quer e tem fé”. O presidente também disse não saber se a informação era fake news, mas declarou que o tema circulava com força nas redes sociais.
A controvérsia surgiu após reportagens sobre uma suposta preocupação da Igreja Católica com o status da santa. Apoiadores da esquerda resgataram um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli (PP-MT), que propunha retirar o título de padroeira de Nossa Senhora. A proposta foi arquivada em 2008. Em 2019, Galli foi nomeado assessor especial da Presidência durante a gestão de Jair Bolsonaro.
Voto religioso
O Brasil tem a segunda maior população cristã do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, conforme estudo do Pew Research Center publicado em 2025. Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 86,9% da população é cristã; os católicos são 56,75% e os evangélicos, 26,9%.
Segundo pesquisa do instituto Quaest, Lula tem 48% das intenções de voto entre católicos, contra 29% de Bolsonaro. Entre evangélicos, Flávio aparece com 46%, ante 27% de Lula.
Lula tem pequena vantagem nas pesquisas para o primeiro turno, em 4 de outubro, e empate com Flávio em uma eventual segunda rodada, em 25 de outubro.




