O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não decidiu quais medidas adotará contra as bets, após defender a proibição das apostas esportivas no Brasil. A expectativa é que o governo publique uma Medida Provisória (MP), com efeito imediato.
Lula se reuniu com ministros na quarta-feira (23) para discutir o tema, mas não houve anúncio formal. A equipe econômica teme que uma restrição rígida provoque insegurança jurídica e reduza a arrecadação. Aliados do presidente, por outro lado, defendem uma resposta mais incisiva diante dos efeitos atribuídos às apostas sobre a saúde da população e o endividamento das famílias.
Ainda há dúvidas sobre como seria feita a fiscalização caso a proibição avance. Lula mencionou o assunto na terça-feira (22), durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos.
“O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio”, afirmou Lula.
Movimento financeiro e empregos
Dados do Banco Central indicam que as bets movimentaram até R$ 30 bilhões por mês entre janeiro e março de 2025. Cerca de 85% do valor apostado retornava aos usuários na forma de prêmios pagos pelas casas de apostas.
Apesar do volume financeiro, os dados da Relação Anual de Informações Sociais de 2024 mostram que o setor tinha 60 empregadores e gerava, em média, 19 empregos por empresa.
O dossiê “A Saúde dos brasileiros em jogo: análise político-econômica da regulamentação de apostas online e seus impactos para a saúde da população brasileira” também calculou a conversão da receita em salários formais. Conforme a pesquisa, a cada R$ 291 arrecadados pelas bets, apenas R$ 1 se transformava em salário formal.


