BRASÍLIA — A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (24) mostrou Lula (PT) com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro (PL). O resultado trouxe alívio à campanha petista após o avanço do senador nas semanas anteriores, mas não alterou a avaliação da equipe de Flávio, que manteve a aposta no voto útil entre eleitores de outros candidatos da direita.
No segundo turno, Lula aparece com 47% e Flávio, com 45%. A diferença está dentro da margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos, e mantém o empate técnico observado nas rodadas anteriores.
A pesquisa foi realizada na terça (22) e na quarta (23), com 2.002 eleitores em 125 municípios. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-00304/2026.
Disputa no primeiro turno
Além de Lula e Flávio, a simulação registra Augusto Cury (Avante) com 5%, Ronaldo Caiado (PSD) com 4% e Renan Santos (Missão) com 3%. Romeu Zema (Novo) e Samara (UP) têm 1% cada. Votos brancos ou nulos somam 5%, enquanto 2% dos eleitores estão indecisos.
Aliados de Lula atribuem a interrupção do avanço de Flávio às estratégias adotadas pela campanha na reta final. O ministro José Guimarães (Relações Institucionais) afirmou que houve ajuste no rumo e disse que o petista pode vencer no primeiro turno com a mobilização da militância. O PT também resolveu, nas últimas semanas, atrasos na distribuição de materiais de propaganda para os estados.
Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha em São Paulo, avaliou como bem-sucedida a estratégia de comparar Lula com o filho de Jair Bolsonaro (PL). Um auxiliar do governo disse que o resultado indica uma mudança em relação ao período de avanço de Flávio.
A equipe do candidato do PL, por outro lado, considerou que a oscilação de um ponto percentual de Lula representa estabilidade, e não uma mudança favorável ao petista. Os aliados de Flávio continuam defendendo que ele pode vencer no primeiro turno ao atrair votos de outros nomes da direita.
Bolsa Família e segmentos do eleitorado
A campanha de Flávio avaliava que o aumento do Bolsa Família ajudaria Lula, mas não seria suficiente para alterar a disputa. O custo previsto para a medida é de R$ 22,7 bilhões em 2027. A equipe também citou a promessa de distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS como uma iniciativa do adversário.
Entre os beneficiários do Bolsa Família, Lula passou de 52% para 53%, enquanto Flávio oscilou de 28% para 27%. No intervalo de quatro meses, a diferença entre os dois havia caído de 10 para 3 pontos. Agora, voltou a 4 pontos, ainda dentro da margem de erro, com probabilidade estatística maior de que o petista esteja à frente.
A avaliação entre integrantes do centrão está dividida sobre o efeito eleitoral das medidas de Lula. Parte considera que o pacote não terá impacto, enquanto outra avalia ser cedo para medir o resultado, que poderia aparecer depois que todos os beneficiários do Bolsa Família recebessem o reajuste pela primeira vez.



