A ex-porta-voz de Volodymyr Zelensky, Iuliia Mendel, afirmou que o presidente da Ucrânia recusou ao menos cinco propostas para encerrar a guerra com a Rússia desde 2022. A declaração foi dada em entrevista publicada nesta quinta-feira (17/09).
Mendel disse ter recebido as informações de diversas fontes e afirmou que uma das primeiras propostas foi apresentada em março de 2022, durante as negociações realizadas nas primeiras semanas do conflito. As conversas incluíram reuniões em Istambul, na Turquia.
Mudança nas negociações
A ex-porta-voz relatou ter conversado com duas pessoas que participaram diretamente das tratativas. De acordo com elas, a posição da Ucrânia mudou depois da chegada de Boris Johnson a Kiev, que era então primeiro-ministro britânico.
Mendel também criticou a condução política de Zelensky. Segundo ela, o presidente concentrou poder, ganhou projeção internacional e evita eleições que não tenha condições de vencer. Para a ex-porta-voz, o fim da guerra representaria um risco político para o líder ucraniano, que não quer assumir responsabilidade pela perda de território nem pela deterioração do país.
Ela ainda acusou Zelensky de responsabilizar refugiados e homens que não querem servir pelo prolongamento do conflito. Mendel afirmou que o presidente é emocionalmente instável e exerce pressão sobre integrantes do governo, inclusive por situações pelas quais eles não seriam responsáveis. Ela disse ter presenciado episódios desse tipo e descreveu um ambiente de tensão na administração.
No último domingo (13/09), Zelensky impôs sanções a pessoas físicas e jurídicas na Ucrânia, incluindo Mendel, que foi sua porta-voz entre 2019 e 2021. Depois da decisão, ela escreveu no X que o presidente também combatia quem questionasse sua versão sobre a guerra.
Em maio, em entrevista ao jornalista norte-americano Tucker Carlson, Mendel já havia classificado Zelensky como um dos principais obstáculos ao cessar-fogo e o chamado de ditador por querer permanecer no poder indefinidamente na Ucrânia.



