NOVA YORK — A equipe do presidente Lula avalia os possíveis efeitos de uma reunião com Zohran Mamdani, prefeito de Nova York e principal figura de oposição a Donald Trump nos Estados Unidos. O encontro foi solicitado pelo prefeito, mas ainda não entrou na agenda do presidente.
A passagem de Lula pela cidade ocorrerá na semana que vem, para a Assembleia-Geral da ONU. O presidente deve chegar na noite de domingo (20) e deixar Nova York após discursar na manhã de terça-feira (22). A segunda-feira (21) está reservada, em princípio, para reuniões bilaterais na residência do representante permanente do Brasil na ONU, o embaixador Sérgio Danese, onde Lula ficará hospedado.
A agenda também prevê uma entrevista de Lula com a jornalista Christiane Amanpour, da rede CNN, na manhã de segunda-feira (21). A permanência curta é relacionada às eleições no Brasil, marcadas para 4 de outubro, duas semanas depois da Assembleia, e às relações fragmentadas com Trump.
O pedido de Mamdani
A equipe de Mamdani havia convidado Lula para um encontro de líderes progressistas, mas o presidente recusou. Na próxima semana, o prefeito participará de uma reunião sobre economias mais inclusivas ao lado do premiê da Espanha, Pedro Sánchez.
Uma conversa entre Lula e Mamdani poderia ser interpretada pela Casa Branca como uma provocação, em meio a retaliações que incluem sanções econômicas contra autoridades brasileiras e a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti. Ela continua trabalhando normalmente em Washington.
Uma pessoa envolvida nas discussões afirmou que não há motivo para temer esse efeito, porque Trump já se reuniu com Mamdani e o elogiou. Também pesa na avaliação o número de pedidos de reuniões bilaterais recebidos por Lula e o tempo reduzido da visita.
Mamdani assumiu a Prefeitura em janeiro deste ano e tem criticado as políticas migratórias de Trump e as detenções em larga escala realizadas pelo ICE. O prefeito determinou que a polícia da cidade não colabore com os agentes federais.
Durante a semana da Assembleia-Geral, Mamdani também deverá se reunir com líderes de seu espectro político e encontrar detratores, entre eles o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu. O israelense viajará a Nova York para discursar na ONU. Há um mandato de prisão contra ele, emitido pelo Tribunal Penal Internacional, por crimes cometidos na guerra em Gaza. Mamdani já disse que Netanyahu seria preso na cidade, mas depois reconheceu que a polícia local não tem autoridade para cumprir a ordem. Há protestos previstos contra o premiê.



