SÃO PAULO — As Forças de Defesa de Israel iniciaram ataques no sul do Líbano e ordenaram que moradores de Arab Salim deixem a cidade imediatamente. A operação, segundo os militares israelenses, responde ao lançamento de dois drones pelo Hezbollah contra soldados israelenses na chamada Zona de Segurança.
O Exército de Israel afirmou que não havia informações sobre soldados feridos até o momento. Os ataques se concentram em Arab Salim, cidade localizada a 7 km do monte Ali Taher, área considerada estratégica pelas forças israelenses.
O cessar-fogo entre Israel e Hezbollah, acordado em 26 de junho, já apresentava sinais de desgaste. Embora as hostilidades tenham diminuído em grande parte do Líbano, Ali Taher continuou sob bombardeios israelenses nas últimas semanas.
Disputa pelo monte Ali Taher
O acordo mediado pelos Estados Unidos previa a retirada de Israel do Líbano caso o Hezbollah se desarmasse. O grupo não participou das negociações e se recusava a entregar ao Exército libanês a área ao norte do rio Litani, onde fica o monte.
Segundo as forças israelenses, há uma rede de túneis sob Ali Taher usada pelo Hezbollah como abrigo para soldados e armazenamento de armas. O grupo também teria rejeitado uma proposta do governo libanês para transferir o controle do monte ao Exército do país.
Israel ocupou Ali Taher por 18 anos, antes de deixar o Líbano em 2000. A posição permite observar vilarejos e estradas principais da região. O Hezbollah, apoiado pelo Irã, vinha atacando militares israelenses com drones nas últimas semanas.
Na sexta-feira, ataques israelenses já haviam atingido sete vilarejos nos distritos de Tiro e Nabatieh, incluindo Mayfadoun, sem registro de feridos. Neste domingo, Zawtar al-Sharqiyah também foi bombardeada, a cerca de 19,5 km de Arab Salim.
Autoridades de saúde pública libanesas informaram que mais de 8.900 pessoas morreram em ataques de Israel no Líbano nos últimos três anos, enquanto quase 30.600 ficaram feridas. Quase metade das mortes e mais de um terço dos ferimentos teria ocorrido depois de 2 de março, início da guerra no Irã.
A ACNUR estima que 360 mil pessoas tenham sido deslocadas pelo conflito até agosto, incluindo pelo menos 22 mil em abrigos coletivos. Desde 2 de março, 179 ataques israelenses também teriam atingido ambulâncias e matado 135 profissionais de saúde.



