O universo dos fetiches inclui preferências por pés, couro, látex, vinil e práticas como BDSM, dominação, submissão, bondage e voyeurismo. Para Heitor Werneck, produtor cultural ligado à cena fetichista, esses interesses não estão associados a um perfil específico de pessoa e devem ser compreendidos com respeito aos limites e consentimento entre adultos.
O Dia do Sexo é celebrado em 6 de setembro. A data também amplia a discussão sobre a diversidade dos desejos e sobre a diferença entre imaginar, observar uma estética e experimentar determinada prática.
Ricky Martin já contou à revista GQ que sente atração por pés e gosta de observá-los. Jason Biggs, conhecido por atuar em “American Pie”, falou sobre considerar a região sensual durante participação no podcast “Thanks Dad”. Tyson Beckford também relatou ter fetiche por pés no programa Watch What Happens Live.
Curiosidade não significa prática
Segundo Heitor, a curiosidade pode levar alguém a conhecer o tema, mas não indica necessariamente o desejo de experimentar. O interesse pode surgir depois de um filme, de uma declaração pública ou de algo visto nas redes sociais.
“Fantasiar, observar, gostar da estética e efetivamente experimentar são coisas diferentes”, afirma. Para ele, o autoconhecimento envolve reconhecer essas diferenças e entender os próprios desejos.
O especialista afirma que a atração por pés é apenas uma entre várias possibilidades. Couro, látex, vinil e práticas relacionadas ao BDSM também aparecem na estética e na vivência fetichista. A participação de outra pessoa exige consentimento, além de respeito aos limites e atenção à segurança.
Projeto Luxúria completa 20 anos
Criado por Heitor em 2006, o Projeto Luxúria completa 20 anos em 2026. Uma edição comemorativa está prevista para 19 de setembro, em São Paulo, reunindo cultura fetichista, BDSM, moda, performances, música e comportamento.
De acordo com Heitor, quando o projeto começou, falar publicamente sobre fetiches era mais difícil e havia mais pessoas escondendo seus desejos. Ele avalia que hoje existe maior interesse em pesquisar e compreender o tema, embora ainda haja tabus.
Para o produtor cultural, o Dia do Sexo pode estimular uma conversa sem transformar preferências pessoais em padrão ou julgamento. “O desejo humano é diverso”, diz. Na avaliação dele, informação, respeito, segurança, limites e consentimento devem estar no centro da discussão quando o assunto envolve adultos.



