BELGRADO — Milhares de pessoas participaram nesta segunda-feira (07/09) do funeral de Ratko Mladic, ex-general sérvio condenado à prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante a Guerra da Bósnia. A cerimônia provocou críticas da União Europeia (UE), que rejeitou a glorificação de criminosos de guerra e a negação de genocídios.
Mladic morreu no final de agosto, aos 84 anos, enquanto cumpria pena em Haia. Ele ficou conhecido internacionalmente pelo apelido de “açougueiro da Bósnia”. O ex-comandante foi sepultado no cemitério de Topcider, em Belgrado, em um túmulo ao lado de sua filha Ana, que se suicidou em 1994.
Cerimônia em Belgrado
O funeral ocorreu na Igreja de São Lucas, menor que o Templo de São Sava, onde normalmente são realizados funerais de Estado. O patriarca Porfírio da Sérvia conduziu a cerimônia religiosa. Depois, integrantes do Exército sérvio cobriram o caixão com as bandeiras da Sérvia e da República Srpska.
A procissão foi acompanhada por policiais em motocicletas e aplaudida por milhares de pessoas. No cemitério, uma banda militar e uma guarda de honra participaram da cerimônia. Uma unidade do Exército sérvio fez uma salva de honra com armas leves.
O ministro da Justiça, Nenad Vujic, havia anunciado que Mladic receberia “honras militares e de Estado”. O presidente Aleksandar Vucic depois minimizou a decisão e disse que a cerimônia respeitaria os desejos da família. Vucic não compareceu ao funeral, mas seu filho, Danilo, esteve presente.
Também participaram o ministro da Defesa, Bratislav Gasic; o próprio Nenad Vujic; o ex-presidente da República Srpska, Milorad Dodik; o embaixador da Rússia na Sérvia, Alexander Botsan-Kharchenko; e Panos Kammenos, ex-ministro da Defesa da Grécia e líder conservador.
Darko Mladic, filho de Ratko Mladic e organizador do funeral, permaneceu ao lado do caixão. Durante a cerimônia, declarou: “Obrigado, irmãos, por virem julgar se meu pai foi um herói ou um criminoso”. Os presentes responderam com gritos de “Herói!”.
Condenação e reação europeia
Mladic foi preso na Sérvia em 2011, depois de quase 16 anos foragido, e transferido para Haia. Em 2017, foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia pelo genocídio em Srebrenica, no qual mais de 8 mil homens e meninos muçulmanos foram mortos.
A condenação também envolveu o cerco de Sarajevo, outros crimes de guerra, campos de detenção para civis não sérvios e prisioneiros de guerra. Ao todo, Mladic passou aproximadamente 15 anos sob custódia das Nações Unidas. Nos últimos meses, sofreu vários acidentes vasculares cerebrais e recebeu tratamento médico enquanto permanecia detido.
A UE afirmou que a glorificação de criminosos de guerra, a negação do genocídio e o revisionismo histórico “não têm lugar” no bloco nem em países candidatos à adesão, como a Sérvia. A declaração foi divulgada por um porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas.




