A AMD pretende fornecer componentes para o supercomputador de inteligência artificial do governo federal, com investimento previsto de R$ 1,06 bilhão. A empresa participará da licitação por meio de parceiros, que deverão apresentar propostas para montar os clusters da máquina.
O equipamento será instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, no Rio Grande do Norte. A compra será feita por edital, cuja conclusão está prevista entre novembro deste ano e fevereiro de 2027. A implantação deve ocorrer até o fim do ano que vem.
Sergio Santos, diretor-geral da AMD no Brasil, afirmou que a companhia já trabalha no projeto e fornece informações ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. HP, Lenovo e Dell estão entre as empresas que podem montar as propostas, combinando tecnologia e custo, enquanto a AMD fornece os componentes.
“Várias empresas vão oferecer seus projetos, e tenho certeza de que a AMD vai estar em alguns deles”, disse Santos.
Foco em CPUs
Embora supercomputadores de IA sejam associados principalmente às GPUs, usadas no treinamento dos modelos, a AMD vê espaço para ampliar as vendas de CPUs. A demanda por esses processadores aumenta com a evolução das tarefas executadas por agentes de IA, processo conhecido como inferência.
O projeto brasileiro prevê treinamento e inferência. Durante o treinamento, data centers costumam usar uma proporção de oito GPUs para cada CPU. Com o avanço da inferência, essa relação se aproxima de uma GPU para cada CPU.
Execução de código, navegação, buscas na web e uso de APIs estão entre as atividades que exigem processamento de CPU nos agentes de IA. A AMD detém cerca de 30% do mercado global de CPUs, contra 66% da Intel. No segmento de GPUs, a Nvidia tem participação estimada entre 80% e 90%, enquanto a AMD tem 5%.
Santos destacou que a AMD é a única empresa a fornecer os dois tipos de componentes e pode oferecer soluções integradas. A decisão, porém, ficará com as empresas parceiras.
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o supercomputador estará entre os 10 mais potentes do mundo para processamento de IA. A estrutura atenderá empresas, universidades, instituições de pesquisa e órgãos públicos, com expectativa de reduzir a dependência de empresas estrangeiras de processamento de dados.
A AMD também vê potencial em uma possível expansão da OpenAI no Brasil. A empresa de Sam Altman abriu sua operação de negócios no país no começo do mês passado. Em outubro do ano passado, OpenAI e AMD fecharam uma parceria global para fornecimento de GPUs, avaliada em até US$ 160 milhões, com previsão de a criadora do ChatGPT ficar com até 10% das ações da fabricante de componentes.
A OpenAI tem um projeto de data center anunciado na América do Sul, na Argentina, avaliado em US$ 25 bilhões. Não foram divulgados quais data centers receberão os chips da AMD.



