RIO GRANDE DO SUL — Google e Terradot fecharam um acordo para aplicar técnicas de redução de metano e remoção de dióxido de carbono em 200 mil hectares de arrozais no estado. O projeto está em fase de implementação e prevê o uso combinado de manejo da água no solo e rochas moídas.
A iniciativa busca reduzir as emissões geradas pelo cultivo de arroz e retirar CO₂ da atmosfera por meio da meteorização aprimorada de rochas. Nessa técnica, pós de minerais específicos são espalhados sobre o solo agrícola. Em contato com a água da chuva e o ar, os minerais aceleram uma reação natural que captura o gás e armazena o elemento no solo e nos lençóis freáticos.
Custo e medição
Os valores do contrato não foram divulgados. Em um acordo público firmado em 2024, a Terradot se comprometeu a remover 90 mil toneladas, a um custo de cerca de US$ 300 por tonelada. Desenvolvedores do setor avaliam que a tecnologia precisa chegar a aproximadamente US$ 100 por tonelada para alcançar demanda em massa.
A startup afirma que o valor praticado no Rio Grande do Sul é inferior ao de contratos anteriores. A empresa, porém, ressalta que medição e verificação podem acrescentar mais de US$ 100 por tonelada ao custo final.
O arroz é cultivado predominantemente em áreas alagadas no estado. Como o ambiente tem pouco oxigênio, microrganismos liberam metano durante a decomposição da matéria orgânica. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), os arrozais respondem por 10% a 12% das emissões globais do gás.
A redução do metano depende de mudanças no manejo do solo e da água. O gás tem potencial de aquecimento global dezenas de vezes superior ao do dióxido de carbono nas primeiras décadas após a emissão.
Expansão do projeto
A Terradot pretende usar a área como campo de testes e, se houver viabilidade técnica e financeira, expandir o modelo para os 1,5 milhão de hectares de arrozais existentes no Brasil. A startup também planeja levar projetos-piloto para Índia e Vietnã a partir de 2026.
As frentes de redução de metano e remoção de dióxido de carbono terão verificação e contabilização separadas para cada tipo de crédito de carbono. O projeto também se relaciona à meta do governo brasileiro de limitar as emissões anuais de gases de efeito estufa a cerca de 1,2 bilhão de toneladas até 2030.
Randy Spock, chefe de remoção de carbono do Google, disse que o acordo foi estruturado para servir de modelo replicável. A Terradot tem o Google como investidor desde 2024.



