Antonio de Rueda, presidente nacional do União Brasil, disputa pela primeira vez um cargo eletivo após transferir seu domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro. A principal aposta do dirigente é uma aliança com o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, com quem percorre a Baixada Fluminense em busca de votos para deputado federal.
Em 26 de agosto, Rueda participou de um encontro no bairro Xavantes, em Belford Roxo, diante de cerca de 60 pessoas. No discurso, pediu apoio para que Canella fosse eleito deputado estadual e afirmou que pretende representar o município no Congresso. “Serei o deputado federal de Belford Roxo”, disse.
A federação formada por União Brasil e PP reúne 124 deputados e senadores. Rueda coordenou a fusão do PSL com o DEM, que deu origem ao União Brasil, e também participou da união com o PP. Ele ingressou na política em 2001, no PSL, partido que filiou Jair Bolsonaro e lançou sua candidatura à Presidência em 2018.
Campanha na Baixada
Nascido no Recife, Rueda teve a mudança do título eleitoral para o Rio formalizada em janeiro. Ele afirma manter moradia no estado desde 2014 e comprou, no final de 2022, um apartamento na capital, no prédio onde funcionava o Hotel Glória. O imóvel tem previsão de entrega até dezembro.
A campanha também explora projetos para segurança e educação. Rueda defende a expansão da Companhia de Drones para os 92 municípios fluminenses. A unidade foi implantada por Canella em Belford Roxo, mas o presidente do União Brasil reivindica participação na autoria da iniciativa.
A escolha do Rio também levou em conta a presença de aliados em posições de liderança na Câmara. Entre eles estão Doutor Luizinho, líder do PP; Aureo Ribeiro, que comanda o Solidariedade; Lindbergh Farias, que liderou o PT até fevereiro; e Altineu Côrtes, que deixou a liderança do PL para assumir a primeira vice-presidência da Casa.
Apoios políticos
Depois que o União Brasil adotou neutralidade na disputa estadual, Rueda passou a manter agendas com grupos ligados aos principais candidatos ao governo. Ele fez dobradinha com Rogério Amorim, candidato a deputado estadual pelo PL, e com Guilherme Schleder, do PSD. Também participou de evento com Douglas Ruas, do PL.
A aproximação com o grupo de Eduardo Paes, do PSD, inclui a presença do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, em agendas de campanha. Rueda declarou apoio à candidatura de Pedro Paulo ao Senado e recebeu um aceno público de Paes em uma carreata na Zona Oeste. O vereador Felipe Boró também atua como ponto de apoio na região.
A articulação com Canella ganhou espaço depois que o ex-prefeito deixou a chapa de Flávio Bolsonaro para o Senado. Canella havia sido anunciado como candidato, mas desistiu após ser preso em 7 de julho, em uma operação da Polícia Federal, por porte ilegal de arma de uso restrito. Segundo a investigação, ele foi encontrado com um fuzil na mala do carro.
Patrimônio
Rueda declarou R$ 75,6 milhões em bens e aparece como o segundo candidato mais rico do Rio nesta campanha. Entre os ativos informados estão uma casa em Maragogi, em Alagoas, avaliada em R$ 989 mil; duas casas em Ipojuca, em Pernambuco, de mais de R$ 1 milhão cada; dois terrenos na mesma cidade, de R$ 1,2 milhão cada; e um apartamento no Rio, de R$ 1,6 milhão.
O candidato também declarou participações societárias que chegam a R$ 18,5 milhões.



